“Alguém sabe o que é o Free Jazz?”

“É o Jazz grátis” responderam vários, quase em simultâneo - risota geral dos mais velhos, onde eu, neste caso necessária e infelizmente, me incluo.
Passo a explicar: A dupla Pedro Costa / Rodrigo Amado foi hoje dar uma aula sobre música jazz a duas turmas de uma escola primária no Seixal. (Agora parece que até já nem se chama primária, mas primeiro ou segundo ciclo, ou qualquer coisa parecida, que se me escapa, e que de resto, também nem interessa para o assunto…)

A pergunta foi apenas uma de várias que os dois “stôres” fizeram no decorrer da sessão que eu tive o privilégio de presenciar.
E garanto-vos que foi mesmo um privilégio. Primeiro, porque as explicações foram tão bem dadas, e de forma tão dinâmica e simples que passei a compreender muito melhor o jazz. Segundo, porque percebi que aquelas crianças todas saíram da sala de aula com um gosto renovado para a música em geral, e esse gosto poderá durar-lhes uma vida inteira.
Saí de lá a pensar “quem me dera ter tido uma aula destas quando tinha a idade deles”.

Talvez muitos nunca percebam a sorte que tiveram, nem nunca mais se lembrem daquela lição de música tão animada. Por isso, daqui a alguns anos, raros se poderão gabar de ter tido só para si aquilo que ali vi hoje.
Apeteceu-me tanto fazer perguntas . . . mas aguentei-me e só fiz uma - Quis saber como se chamava a mulher que não podendo ser cantora de jazz, se disfarçou de homem para o conseguir? E não é que o “stôr” Pedro Costa tinha a resposta na ponta da língua???? De tal maneira fiquei embasbacada, que já nem me lembro do nome - de homem - que a mulher usou.
Uma das primeiras perguntas que eles fizeram logo no inicio da aula foi quem sabia dizer que instrumentos se usam no jazz? Vergonha das vergonhas – todas as crianças conseguiram dizer mais instrumentos do que eu, que só me lembrava do instrumento “pequenino” – sim, esse . . . o violoncelo!
A segunda parte foi prática e todos puderam experimentar tocar vários instrumentos com o apoio do saxofone do “Stôr” Rodrigo Amado e das instruções firmes do “stôr” Pedro.
Ali se provou que o jazz pode ser muito mais que “chinfrineira”, não deixando de ser de improviso.
Gostei tanto da aula que só pensava que eles podiam e deviam estar a dar aquelas explicaçoes também nas Universidades. O que aqueles dois ali fizeram foi um verdadeiro concerto de paixões – o que estimula a criatividade e apura o ouvido! – logo, precioso auxiliar para o estudo - seja ele sobre que matéria for.

Puseram uma música a tocar e antes disseram: “Vão agora ouvir a Ella Fitzgerald a cantar com o Louis Armstrong … talvez até conheçam….”. “ahhhh, siiim, é da Danone!”, “… não sei se já havia iogurtes nesse tempo ... mas não faz mal!” dizem resignados os “stôres”.
Eu digo: BRAVO!!! (como nos velhos tempos) aos dois excelentes professores e a quem os convidou. Neste caso, a Câmara do Seixal.
Da próxima vez que eles derem uma aula, eu aviso-vos antes para que possam ir lá espreitar.