SIM E NÃO
Mas sendo este um espaço para devaneios, é nesse registo (e apenas nesse) que aqui o abordo.

Tenho ouvido muita gente manifestar publicamente a sua opinião sobre a despenalização à interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas. Por vezes com tal fervor que, nalguns casos, me ficou a dúvida sobre os verdadeiros motivos com que o faziam.
Não por se manifestarem fervorosamente, mas porque as razões evocadas para defenderem a sua posição, me pareceram pouco sentidas. Antes estrategicamente planeadas.
Não concordo com o aborto como método anticoncepcional. Mas concordo muito menos que morram mulheres vitimas de abortos clandestinos.
Esta não é para mim uma questão de sim ou não. É antes uma questão de sim e não. Porque não havendo verdades absolutas, os argumentos para um e outro são quase infindáveis, e igualmente válidos.
Seja qual for o resultado do referendo, espero sinceramente que as extremadas posições contribuam para uma séria e firme mudança de mentalidades.
Espero que a educação sexual (nas escolas e em casa) deixe de ser uma piada para ser antes uma saudável troca de conhecimentos e experiências .
Espero que o planeamento familiar deixe de ser uma especialidade longínqua da medicina, e de último recurso, e passe antes a ser uma especialidade de prevenção e de primeiro recurso.
Espero que (pelo menos) as mulheres que já fizeram um aborto, não sintam a necessidade de criticar publicamente outras que o tenham feito - porque há quem se sinta socialmente obrigada a fazê-lo.
Espero que acabem os abortos clandestinos, improvisados em marquises de mil usos.
Espero que não morra nem mais uma mulher por este motivo. Espero que por falta dos outros motivos não morra nem mais uma criança.